Caminho para a Paz – 2ª PREGAÇÃO DO ADVENTO

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SEXTA-FEIRA, 12 DE DEZEMBRO DE 2014. Na segunda pregação do Advento ao Papa e Cúria Romana, Frei Raniero Cantalamessa destaca caminho para ser construtor da paz a exemplo de Cristo

O Papa participou, na manhã desta sexta-feira, 12, da segunda pregação do Advento conduzida pelo pregador oficial da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa, na Capela Redemptoris Mater, no Vaticano.

O tema da palestra foi “Bem-aventurados os construtores de paz, porque serão chamados filhos de Deus”.

Frei Cantalamessa destaca que após refletir sobre a paz como dom de Deus, tema da primeira pregação, na última sexta-feira, “somos chamados a imitar o exemplo de Cristo, tornando-nos canais para que a paz de Deus chegue aos nossos irmãos”.

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.: Leia a segunda pregação na íntegra

.: Dom da Paz é tema da 1º pregação do Advento de Frei Cantalamessa

O pregador explica que Jesus não só exortou seus seguidores a serem pacificadores, como também os ensinou pelo exemplo e pela palavra, de que modo deveriam sê-lo.

Ele recorda que, na mesma época de Jesus, havia o imperador romano César Augusto que afirmava ter estabelecido a paz em Roma através de vitórias.

Entretanto, Jesus revela que existe outro modo de realizar a paz. “A dele também é uma ‘paz fruto de vitórias’, mas de vitórias sobre nós mesmos, não sobre os outros; de vitórias espirituais, não militares. Na cruz, escreve São Paulo, Jesus ‘destruiu em si mesmo a inimizade’ (Ef 2, 16): destruiu a inimizade, não o inimigo, e a destruiu em si mesmo, não nos outros”, ressalta Cantalamessa.

O frei destaca ainda que o caminho para a paz indicado pelo Evangelho não faz sentido só no âmbito da fé, mas vale também na esfera política. “Hoje vemos com clareza que o único caminho para a paz é a destruição da inimizade, não do inimigo. Os inimigos são destruídos com armas, a inimizade com o diálogo”.

Paz entre as religiões

cantalamessa_losservatore2Frei Cantalamessa destaca que hoje abre-se um campo de trabalho difícil e urgente para os pacificadores: promover a paz entre as religiões.

“O motivo de fundo que permite um diálogo leal entre as religiões é que ‘todos temos um único Deus’”, afirma o frade capuchinho.

Ele explica que subjetivamente cada pessoa tem ideias diversas sobre Deus, mas objetivamente, cada um sabe que “Deus só pode haver um”.

Segundo Cantalamessa, o fundamento teológico do diálogo é também “a nossa fé no Espírito Santo”. “Como Espírito da redenção e Espírito da graça, ele é o vínculo da paz entre os batizados das diversas confissões cristãs; mas, como Espírito da criação, ou Espírito criador, ele é um vínculo de paz entre os crentes de todas as religiões e, mais ainda, entre todos os homens de boa vontade”.

O frade explica que os cristãos acreditam que, como o Espírito Santo guiava para Cristo os profetas do Antigo Testamento (cf. 1Pt 1,11), hoje ele guia para Cristo e para o seu mistério pascal as pessoas que vivem fora da Igreja.

Nesse aspecto, o pregador da Casa Pontifícia fala sobre a relação entre Israel e a Igreja, e recorda que na Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium”, o Papa Francisco presta uma atenção particular a este diálogo e conclui com estas palavras:

“Embora algumas convicções cristãs sejam inaceitáveis para o judaísmo e a Igreja não possa deixar de anunciar Jesus como Senhor e Messias, há uma rica complementaridade que nos permite ler juntos os textos da Bíblia hebraica e ajudar-nos mutuamente a desentranhar as riquezas da Palavra, bem como compartilhar muitas convicções éticas e a preocupação comum pela justiça e pelo desenvolvimento dos povos” (EG, 249).

Paz mundial

Por fim, Cantalamessa comentou um slogan que diz: “pense globalmente, aja localmente”, dizendo que ele é particularmente verdadeiro para a paz.

“Temos que pensar na paz mundial, mas agir pela paz em nível local. A paz não se faz como a guerra. Fazer guerra exige longos preparativos: formar grandes exércitos, montar estratégias, estabelecer alianças e depois passar ao ataque. Ai daqueles que começassem antes, sozinhos ou por grupos separados; estariam condenados à derrota certa. Fazer a paz é exatamente o contrário: começar já, antes, mesmo sozinhos, mesmo com um simples aperto de mão”.

E recordou uma frase do Papa Francisco, dita recentemente: “A paz é feita de modo artesanal”.

“Assim como bilhões de gotas de água suja nunca formarão um oceano limpo, assim bilhões de pessoas e famílias sem paz jamais formarão uma humanidade em paz”, enfatizou Cantalamessa.

Os textos que fundamentam as reflexões de Frei Raniero Cantalamessa são extraídos da Sagrada Escritura, rica em referências à paz. Ele também utiliza textos do Papa Francisco da sua na primeira Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium”.

Kelen Galvan Da redação

 

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