Exorcista ou psicólogo? Papa Francisco fala das “doenças espirituais”

As pessoas que recorrem ao confessionário vêm de muitas situações diferentes, que podem incluir transtornos espirituais cuja natureza deve ser cuidadosamente discernida, afirmou o Papa Francisco aos participantes do XXVIII Curso para Confessores, realizado na semana passada no Vaticano.

O Santo Padre explicou que o confessor deve discernir conscientemente a natureza dos transtornos espirituais dos fiéis que se confessam: em grande parte, esses transtornos podem ser psicológicos, possibilidade que precisa ser verificada em saudável “parceria” com as ciências humanas. Ao mesmo tempo, conforme os casos, o confessor deve pensar também no recurso àqueles que, na diocese, estão encarregados do delicado e necessário ministério do exorcismo. Francisco indicou, a este propósito, que os exorcistas precisam “ser escolhidos com muito cuidado e atenção”.

Não se vira um bom confessor graças a um curso”, prosseguiu o papa, ressaltando que o confessionário é “uma longa escola que dura a vida inteira”.

Mas, afinal, quem é o bom confessor?

1 – Verdadeiro amigo de Jesus Cristo

Francisco disse que o bom confessor é, antes de mais, um verdadeiro amigo de Jesus Cristo, o Bom Pastor. Sem esta amizade, será muito difícil amadurecer a paternidade tão necessária ao ministério da Reconciliação. E o que significa ser amigo de Jesus? “Significa, primeiramente, cultivar a oração. Seja a oração pessoal com o Senhor, pedindo o dom da caridade pastoral, seja uma oração específica para o exercício da tarefa de confessor junto aos fiéis, irmãos e irmãs que vêm até nós em busca da misericórdia de Deus”, respondeu o Santo Padre.

O confessor que reza é um reflexo credível da misericórdia de Deus e evitará as asperezas e incompreensões, que, às vezes, podem surgir também no encontro sacramental, completou Francisco.

2 – Homem do Espírito, homem de discernimento

Em segundo lugar, ele destacou que “o bom confessor é um homem do Espírito, um homem de discernimento. Quantos males têm origem na falta de discernimento da Igreja!”, observou, instando à escuta humilde do Espírito Santo e da Vontade de Deus.

E o papa completou: “O confessor não faz a sua própria vontade e não ensina a sua própria doutrina; ele é chamado a fazer sempre e somente a vontade de Deus, em plena comunhão com a Igreja, da qual é ministro e servidor”.

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