Liturgia do Primeiro Domingo do Advento

1Av-CNeste 1º Domingo de Advento, a Palavra de Deus apresenta-nos uma primeira abordagem à “vinda” do Senhor.

Na primeira leitura pela boca do profeta Jeremias, o Deus da aliança anuncia que é fiel às suas promessas e vai enviar ao seu Povo um “rebento” da família de David. A sua missão será concretizar esse mundo sonhado de justiça e de paz: fecundidade, bem-estar, vida em abundância, serão os frutos da ação do messias.

O Salmo 24Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma!

A segunda leitura, convida-nos a não nos instalarmos na mediocridade e no comodismo, mas a esperar numa atitude ativa a vinda do Senhor. É fundamental, nessa atitude, a vivência do amor: é ele o centro do nosso testemunho pessoal, comunitário, eclesial.

O Evangelho, apresenta-nos Jesus, o messias filho de David, a anunciar a todos os que se sentem prisioneiros: “alegrai-vos, a vossa libertação está próxima.

O mundo velho a que estais presos vai cair e, em seu lugar, vai nascer um mundo novo, onde conhecereis a liberdade e a vida em plenitude. Estai atentos, a fim de acolherdes o Filho do Homem que vos traz o projeto desse mundo novo”. É preciso, no entanto, reconhecê-lo, saber identificar os seus apelos e ter a coragem de construir, com ele, a justiça e a paz.

Reflexão

Caríssimos irmãos no Senhor, estamos começando hoje um novo Ano Litúrgico; é o princípio de mais um ciclo de tempo sagrado para celebrar na liturgia o santo mistério do Deus que nos salvou em Cristo Jesus. Celebramos o mistério de Cristo na sagrada Liturgia e, com ela, enchemos nossa vida do bom odor de Cristo e do gosto das coisas do céu! Pois bem, irmãos no Senhor, cuidemos de viver piedosamente este novo ano que ora começa!

            E o primeiro mistério que se celebra no arco do ano da Igreja é, precisamente, o santo Tempo do Advento, que faz memória da longa espera do povo de Israel e de toda a humanidade. Espera? Que espera? Pensemos, caros no Senhor, pensemos no coração humano, recordemos a história humana e veremos que toda a nossa existência é uma saudade, uma espera, uma ânsia. O homem é cativo da esperança! Espera a paz, espera a felicidade, espera a plenitude, espera a vida, espera vencer a morte! Os pagãos, sem saber bem o que esperavam, ainda assim, esperavam… Esperavam e esperam! Por sua vez, os judeus, o povo da antiga aliança, esperava sabendo o que esperava… Sabia porque Deus prometera um Messias, um Salvador. Com esse bendito Enviado de Deus, toda graça e toda bênção seriam dadas a Israel e a toda a humanidade. Nos dias do Messias, o Senhor iria derramar seu Espírito sobre toda carne e Israel seria salvo e a humanidade descansaria em paz… Pois bem, o Tempo do Advento celebra essa espera e coloca diante dos nossos olhos as promessas que Deus fez ao seu povo e a toda a humanidade. Exatamente porque é tempo de espera, a cor deste período é o roxo, de quem vigia e aguarda; por isso também a ornamentação simples da Igreja… É tempo de esperar, como o vigia espera pela aurora, como a amada espera pelo amado, como a flor espera pelo orvalho…

            Mas, essa celebração da espera, própria do Advento não é um faz-de-conta! Nada disso! Esta espera nos faz recordar que Aquele que veio para nós em Belém, nascido de Maria a Virgem, virá como Juiz e Senhor nos final dos tempos. Diz o Catecismo da Igreja: “Jesus Cristo é o Senhor: possui todo poder no céu e na terra. Esta acima de toda autoridade, poder, potentado e soberania, pois o Pai tudo submeteu a seus pés. Cristo é o Senhor do cosmo e da história. Nele, a história do homem e mesmo toda criação encontram sua recapitulação, sua consumação transcendente” (n. 668). Portanto, caríssimos, é preciso que nos preparemos para ele por uma vida de vigilância e santidade! Por isso mesmo, as duas primeiras semanas do Advento nos fazem pensar na segunda vinda do Cristo, quando ele aparecerá em glória, cumprido tudo quanto Deus nos prometera e levando à consumação a sua obra. Disso nos falam as leituras deste Domingo.

            Pela boca do profeta Jeremias, Deus prometia à Casa de Israel – e tal promessa é válida para nós, novo Israel: “Eis que virão dias em que farei cumprir a promessa de bens futuros para a casa de Israel! Naqueles dias, naquele tempo, farei brotar de Davi a semente da justiça; Judá será salvo e Jerusalém terá uma população confiante. Este é o nome que servirá para designá-la: ‘O Senhor é a nossa justiça’!” Esta promessas, irmãos, não diz respeito somente ao passado, à primeira vinda do Cristo, descendente de Davi; diz respeito ao nosso futuro, àquilo que Deus nos prepara. E o que nos prepara? A manifestação gloriosa e salvífica do seu Filho Jesus Cristo! Aquele que veio na humildade de nossa carne em Belém, manifestar-se-á na plenitude da glória, no tempo que somente o Pai conhece, e tudo e todos serão nele examinados, nele tudo será julgado e nele encontrará o destino definitivo, de salvação ou perdição eterna: “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas… Os homens vão desmaiar de tanto medo, só de pensar no que vai acontecer ao mundo. Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória”. O que nossa fé nos ensina, caríssimos, é que tudo caminha para o Cristo: a criação, a história, a nossa vida… Daí a nossa responsabilidade em viver com sabedoria os dias de nossa peregrinação neste mundo: “Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós!” A tentação é grande, irmãos! Mais que nunca somos solicitados pelo mundo a viver no consumismo, no excesso de distrações, de futilidades, de uma vida dispersa e superficial. Querem nos fazer esquecer que aqui estamos de passagem, que nossa plenitude se encontra somente em Cristo nosso Deus e que haveremos, um dia de comparecer ante o tribunal do Senhor Jesus! Vigiemos, pois! Cuidemos de estar atentos ao Senhor, “pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes da terra!” A grande questão que a palavra do Senhor hoje nos coloca é se queremos viver na futilidade de uma vida que parece não ter rumo nem plenitude final ou se, ao invés, compreendemos a nossa existência como um caminho que tem uma meta, um sentido, uma plenitude, que se encontra em Cristo nosso Senhor! Ora, se, de fato, levarmos a sério que um dia daremos contas ao Senhor da nossa vida, se levarmos a sério de verdade que Cristo é o sentido último de nossa existência, então, é preciso não brincar com o conselho do Apóstolo na segunda leitura desta Liturgia: “Que o Senhor confirme os vossos corações numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de Nosso Senhor Jesus com todos os seus santos. Aprendestes de nós como deveis viver. Fazei progressos ainda maiores!!”  É assim, caríssimos, que poderemos, no dia final, levantar-nos e erguer a cabeça para a salvação que se aproxima. É assim, na oração, na vigilância, na prática da virtude, numa vida levada a sério, que poderemos compreender a exortação de Jesus: “Ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem”.

            Caríssimos, quando o Senhor nos fala dessas coisas não é para amedrontar ou nos fazer terrorismo! Nada disso! O objetivo do nosso Deus é nos recordar com toda a seriedade a respeito da responsabilidade que temos em viver com sabedoria a única existência que nos foi dada; assim estaremos prontos para o encontro com o Senhor quando ele vier! Vigiemos, oremos, sejamos amigos de Cristo, sejamos fiéis filhos de nossa santa mãe católica, vivamos em paz, valorizando os dias de nossa vida, e a Vinda do Senhor será para nós salvação e alegria. Com estes santos pensamentos, vivamos este belíssimo tempo do Advento que hoje começa, na doce esperança do Cristo nosso Deus. A ele a glória pelos séculos, Amém.

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