Palavra do Reitor › 01/05/2014

Jesus Cristo é a Imagem do Deus invisível.

Páscoa dos Jovens (2)

 

Uma das mais frequentes acusações que os católicos sofrem é a de praticar a “idolatria”, por causa do culto às imagens de pessoas que viveram a santidade. Trata-se de uma acusação sem fundamento, que revela desconhecimento da Palavra de Deus. Idolatria não é o uso de imagens no culto divino, mas prestar a uma criatura o culto de adoração que devemos exclusivamente a Deus.

Na carta aos Colossenses São Paulo Apóstolo adverte que a avareza é uma idolatria (Col 3,5) e que o avarento coloca o dinheiro no lugar de Deus, como o valor supremo de sua vida. Quando colocamos outro bem, valor ou ideal no lugar que é exclusivo de Deus caímos na idolatria, pois, como diz o salmista: todo o universo canta a glória de Deus (Sl 18,2). “Louve a Deus tudo o que vive e que respira, tudo cante os louvores do Senhor!” (Sl 150,5).

No primeiro mandamento de sua Lei Deus diz: “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20,3). O Senhor Jesus, quando repeliu o demônio que o tentava, repetiu o preceito: “Adorarás o Senhor teu Deus, e só a Ele servirás” (Mt 4,10). Porém, adorar somente a Deus, não significa que não possamos honrar seus santos e seus anjos. O próprio Deus mandou honrar os pais (Ex 20,12), as autoridades públicas (Rom 13) os nossos superiores e as pessoas mais idosas.

Prestar honra a essas pessoas, simples criaturas, em nada prejudica a adoração devida exclusivamente ao Senhor. E, se devemos honrar até os governantes deste mundo, quanto mais os anjos, de cujo ministério Deus se serve para governar sua Igreja. Foi por isso que Abraão prostrou-se diante dos três anjos que lhe apareceram em forma humana, para anunciar o nascimento de seu filho Isaac (Gen 18,2). Assim, o culto aos santos glorifica a Deus, como canta a Virgem Maria no Magnificat: “o Poderoso fez em mim maravilhas” (Lc 1,49). Quando honramos um santo, proclamamos as maravilhas que a graça de Deus operou na vida dele.

É verdade que temos um único Mediador na pessoa de Jesus Cristo Nosso Senhor. Só Ele nos reconciliou com o Pai pelo oferecimento de seu precioso sangue, entrando uma só vez no Santo dos Santos, consumou uma Redenção eterna (Hebr 9,11-12) e não cessa de interceder por nós (Hebr 7,25). Todavia, se recorrer à intercessão dos santos prejudicasse a glória devida unicamente a Cristo, o Apóstolo Paulo não pediria que seus irmãos rezassem por ele: “Rogo-vos, pois, irmãos, por Nosso Senhor Jesus Cristo e pela caridade do Espírito Santo, que me ajudeis com as vossas orações por mim a Deus” (Rom 15,30). Se as orações dos que vivem nesta terra são úteis e eficazes para que sejamos ouvidos por Deus, mais ainda serão as orações daqueles que já estão em glória, contemplando a Deus face a face.

A encarnação do Filho de Deus superou a proibição de se fazer imagens, porque, quando “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14), Deus se revelou como homem. Invisível em sua divindade, se tornou visível na humanidade. Jesus Cristo é “a imagem visível de Deus invisível” (Col 1,15). Assim sendo, rejeitar as imagens sagradas é voltar à Antiga Lei, quando Deus ainda não tinha se feito homem. Para ser coerente, quem insiste nessa postura deveria também praticar a circuncisão e guardar o sábado, como é prescrito na Lei de Moisés. Quem venera uma imagem, venera a santidade da pessoa nela representada.

Antonio Martins Irineu (Reitor do Santuário de Fátima)

Fé e devoção

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